segunda-feira, julho 02, 2012

nos teus mares quero navegar

Não destrata a fé, mas desanda a calma. A vida pra mim é um universo que brilha, inspira, queima e centelha a chama de uma existência plena, e serena, que conforta e irradia a derradeira rebeldia de amar, e de ser amado. Sou louco e não me arrependo. De ter vivido - e estar vivendo - cada um dos ventos que serpenteiam desatentos  os descaminhos e contratempos que escrevemos no nosso destino. Vejo além e não minto. Vamos nos sentir para sempre - agora que a brisa sopra intermitente por cima do nosso barco desancorado.

terça-feira, junho 26, 2012

posteriori


embaralho os astros, os planetas, as certezas. tenho um barco que navega só, por margens incansáveis de pureza. enxergo cometas, anseios e desejos. as estrelas parecem o brilho, que um dia desenhei na sarjeta. tenho um peito forte, e por sorte não me esqueço. sinto que vou sobreviver para sempre, mesmo que este tempo doa, voa, e nos esqueça.

terça-feira, junho 19, 2012

voa


Dobra o vento e o sentido, os versos e os suspiros entregues aos descaminhos desconversados em silêncio. Dói o peito e desanda a alma - a chama desesperada que incendeia e ilumina a estrada alardeada pelos percalços do tempo. Tenho vontade de fugir toda vez que respiro, toda vez que persisto, toda vez que insisto em um amor que ainda não inventaram. 

Desperta as lástimas e os anseios, os desejos e desassossegos entregues à vontade iminente de me misturar às montanhas. Perder-me nos traços e compassos desnivelados pelos dedos mágicos de um desenho em transe. Invento fôlego na saudade da poesia que gesticula a sobriedade da vida. Toda vez que abro os braços, sinto em mim mais uma despedida.

terça-feira, maio 08, 2012

ar

Ouvi jazz e perdi do caminho. Descendo o oceano, o veleiro perguntou. De onde vem o vento, pra onde vai o mar. Me dê respostas, porque coleciono perguntas. A sobriedade fere o homem, que não sabe onde aportar. 

Vejo sentido, mesmo quando sentido não há. Dobre o peito, sinta o tempo. O desamor é uma miséria, que não quero ter que cobrar. O barco treme, mas não naufraga. Nascemos para existir, não para respirar.

Aprendi com neruda, e não pestanejei de hesitar. Carrego em mim o amor maior do mundo, ainda que por vezes ele não tenha a quem amar. Soa fraco, mas não nego. Escute só a tormenta, que a brisa pode causar.