sábado, março 10, 2012

volver

Levante o leme, sobe a corda. Olha só estes tempos estranhos serpenteando pelas ruelas estreitas, bares esfumaçados, quebradas quentes e iluminadas pelos desencantos mundanos. Tem me tirado o fôlego viver e respirar, e sorrir e chorar, dobrar o inconsciente atento para amar com menos dor, menos pudor. Reviver a poesia que canta e encanta, os lábios e rastros perdidos na outrora desventura de viver entregue ao vento que sopra distante no oceano.


Estamos todos loucos, soltos e entregues ao desamor do tempo. Sentimos falta de sentir saudade, vontade, e toda a bondade que alimenta o frescor dos versos. Todos os caminhos soam incertos na busca e procura por um amor que queime, que arda, mas que conforte as desilusões corriqueiras arrastadas por estas quarta-feiras de frio. O sol queima, mas a lua afaga. Deito todas as noites na cama para embaralhar os astros e colapsos que dançam em chama.


Sobra a fé e a amargura. Que o vento venha e cure cada uma dessas angústias que desarticulam a continuidade da vida. Confio no silêncio e no futuro os beijos e as tardes de sossego que o tempo tira. Nego todas e qualquer uma das mentiras que atrasam o perpetuamento do encanto que mergulha profundo pela percepção plena. Meus versos vão, mas voltam. Entorto o leme e solto a corda para encarar mais outra vez o mar em revolta.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Para onde estou indo

sim. tem sido realmente estranho. os beijos, os encontros e os desencontros. as buscas, as perguntas e as respostas. as cartas que andei assinando para ver se silencio um pouco da angústia que vive em mim. uma angústia de viver hoje um pouco do amanhã. essa angústia que tanto tira o fôlego como me coloca para respirar. ou então mergulhar ainda mais fundo.

viver tem sido estranho. é que o amor não compreende mais os nossos anseios vespertinos. a liberdade é uma promessa que nos prende em uma busca injustificada. não sou feliz sozinho. mas também nunca encontrei a felicidade de um amor tranquilo.

porque amar só foi bom, até agora, quando a tormenta dobrou meu barco. quando não tive para onde ir. quando o tempo tirou minha âncora, minhas certezas, meus planos e objetivos sinceros e calculados. quando me senti um marinheiro só, perdido no vazio da noite, mas com a certeza quente e reconfortante de que alguém estava me esperando lá atrás no porto.

mas agora eu aprendi a partir - a despedir e a chegar. e não me sinto mais um estranho, no meio de um mundo tão... estranho. conforme disse o professor Thompson, "quando as coisas viram estranhas, o estranho vira profissional". Hoje, com toda modéstia, eu sou sim um profissional nesta arte de estranhar o Vento.

E então aposento aqui o Tempos Estranhos. Duzentas páginas de relatos apaixonados e sinceros. Que talvez vire um livro. Que talvez não signifique muito. Que talvez volte a existir um dia. Que talvez...

Mas isso é longe de ser um fim. Agora eu estou na estrada. E agora eu sei voar. Continuo vivo, leve e solto. Escrevendo coordenadas e inventando direções. Jornalismo e poesia. Amor e medo.

Se os tempos agora estão realmente estranhos, é bom que a gente saiba por onde caminhar.

Agora estou indo por aqui, www.paraondeestamosindo.tumblr.com

Um beijo, e obrigado. Mesmo.

Bernardo

Barcelona, 01.08.11

segunda-feira, junho 13, 2011

eu decidi sair para respirar no ar

eu sai essa tarde para poder caminhar ali até a esquina, sentir um pouco dos filetes de sol esquentarem o inverno que invadiu às nossas almas nas últimas semanas de frio. já tem alguns dias que estou tentando encontrar uma luz diferente, algum tipo de brilho que queime ainda mais o sentimento que meu corpo sente quando estou diante da janela, olhando para a cidade, inventando caminhos desconhecidos só para ver até onde eu consigo seguir para além da linha que some o vento.


é estúpido, mas as vezes sinto que vou encontrar uma resposta para todos os mistérios do mundo se ficar mais cinco minutos encostado na calçada da rua, fumando um cigarro, desconversando promessas antigas enquanto seguro minhas duas últimas garrafas de cerveja vazias.

dói querer tirar do fogo uma faísca encandecida, um traço de vida que respire mais do que o próprio Tempo, sair numa quinta-feira para encontrar perdida na esquina um Amor que responda às dúvidas da vida simplesmente jogando os seus cabelos embaralhados para fora do vidro do carro. é uma busca insustentável pela experimentação do infinito sobre o mundo, quando finalmente nos tornamos livres para sentir mais, amar mais, e navegar mais.


não estou procurando nada que seja eterno, mas simplesmente uma chama que conforte o frio que pode ser uma segunda-feira de silêncio; alguém que eu possa esbarrar sem querer na rua sergipe e sentir de novo aquele aperto no peito, uma outra razão no mundo para eu não ter que voltar para casa tão cedo.


poder deixar ela em casa e então pegar o caminho mais longe para casa, subir avenida acima com as janelas todas abertas, o vento balançando os versos que Jamie Woon canta pelos alto-falantes estourados. ter com quem dormir, ter com quem acordar, e ter por perto uma saudade que queime, que arda, que doa de tão irreparável, inevitável e necessária. um amor para a vida inteira. mesmo que dure só para hoje, agora, enquanto o sol vai descendo pelo horizonte alaranjado.

quinta-feira, maio 19, 2011

as vezes eu acho que estou vivendo no meio de um furacão forte, desses que duram dias, mas dessa vez é como se estivéssemos no meio do maior deles, o maior que já existiu. o tempo todo eu tenho a sensação de que estou sendo jogado de um lado para o outro, de um lugar para o outro, como um barco na maior tempestade que encontra pelo caminho. é como se fosse aqui, agora, o epicentro do terremoto do tempo, quando algumas coisas ficam, outras coisas vão, e tudo, todos os dias, todas horas, e todos os segundos passam a fazer parte daquilo que está começando agora.



as vezes eu tenho a sensação que nunca existiu uma época melhor para viver do que esta, 'agora'.