quinta-feira, janeiro 14, 2010

Pessoa

Até que a gente desapareça haverá vestígios, restos e resquícios de tudo que sentimos enquanto fomos só e apenas enlouquecidamente apaixonados pelo mundo e, sobretudo, um pelo o outro. Nossos beijos no escuro, nossos silêncios repentinos e nossas conversas cheias de vontade de serem mais sinceras, menos contidas. Ficará ainda um tanto de saudade, um pouco de vontade de voltar no tempo, e uma certeza imensuravelmente plena, de que até o nosso desencontro tenha valido a pena.

Bernardo Biagioni
Bedouin Soundclash - Until we burn

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Leste

Te pego aí na quarta, ou talvez na terça, e antes de anoitecer colocamos as malas no carro e partimos, no caminho decidimos que caminho vamos pegar. Pensei em ir para o mar, alguma cidade no mar, um lugar onde a gente possa mergulhar os pés na areia e ficar ouvindo o barulho das ondas sem se preocupar com o que ficou para trás, no passado. Não conte para ninguém – ou apenas para quem possa entender – e já pode ir se preparando, se arrumando e se libertando. Porque a gente vai sem ter dia para voltar.

Bernardo Biagioni

terça-feira, janeiro 12, 2010

Fora no fim de semana

Quero viajar com você. Te ver do meu lado enquanto estivermos indo, seguindo e avançando, desenhando nossos passos no mapa enquanto cortamos a madrugada fria. Ver seus cabelos voando pela janela aberta, as estrelas mergulhando no contorno das montanhas e sentir mais uma vez o cheiro do campo, das cidades que ficam no caminho, todas iluminadas. Minhas mãos nas suas, as nossas conversas todas mudas, e a nossa saudade lamentando, se esvaindo, e recusando. Inutilmente resistindo ao que é inevitável, irreparável e necessário. Você e eu.

Bernardo Biagioni
Neil Young - Out on the weekend

terça-feira, janeiro 05, 2010

00

Você, Tim Maia, a transa de Caetano Veloso, Neil Young em Helpless, a gaita de Helpless, os lamentos silenciosos de Slow Blues, as ervas e cervas de Charles, os encontros com o comandante Kerouac, noites com Simone nos becos dos bares sujos do continente sul-americano, tardes de sol em estradas perdidas com os solos de Page, os nossos beijos deitados na cama, no canto da cama, as taças de vinho quebradas, as noites atravessadas no álcool, no carro, no banco de trás do carro, nas ruas desertas cheias de mistério, de medo e de paixão. A gente com tudo, e ainda querendo mais. Tempos estranhos, eu sei. Tempos que não ficam para trás.

Bernardo Biagioni