sábado, dezembro 19, 2009

Aubes II

A verdade é que não se escreve aquilo tudo que estamos vivendo aqui, todas as noites aqui, por mais que pareça mesmo cenas e palavras de outros velhos romances que ando lendo e arriscando dia após dia. Nem coragem eu tenho – confesso – porque depois que escrevo percebo que meus textos talvez ainda não tenham consigo ser sinceros o bastante para descrever nem, sei lá, dois ou três segundos do que acontece quando a gente simplesmente se encosta pele com pele e beijo com beijo. Seu sorriso, nosso sorriso, nossos dedos se procurando lá em baixo e dois corações batendo aceleradamente juntos, bem juntos. Dá para sentir no peito que a cidade inteira já está dormindo - e que a gente está finalmente se reencontrando.


Bernardo Biagioni

domingo, dezembro 13, 2009

Verão

Fez de mim silêncio. Um desassossego inquieto no peito que sorri tanto quanto chora, vem tanto quanto vai, e pelas noites e madrugadas aparece e reaparece, sempre implorando por tudo e um pouco mais. Misturou meus versos com palavras desencontradas, assim como a chuva faz com as lágrimas, o oceano com os mares e as ondas com as águas que correm sem caminho. Virei refém de mim mesmo, da minha imagem preocupada refletida no espelho, um redemoinho de vontade sobre os desencontros esquecidos no passado e encontros perdidos no futuro. Chegou e trouxe consigo a vida que não se lê nos livros, o amor que ainda não foi escrito, e a promessa silenciosa de acabar com todas as lágrimas que o mundo ainda tem para chorar. Veio antes da hora - eu sei - Mas chegou para ficar.

Bernardo Biagioni

terça-feira, dezembro 01, 2009

Carta II

Quero te levar comigo, mesmo que isso não faça assim tanto sentido para quem acabou de se conhecer, de se esbarrar por aí, de se encontrar no mundo. Quero você comigo quando estiver deitado na praia esperando a chuva passar e, mais tarde, ficar em casa lembrando das ondas revoltas no mar quebrando nas pedras e explodindo no meio dos pássaros que voavam sozinhos para casa. Quero você por perto quando acordar e me encarar no espelho, sentir minhas palavras conversando com as suas, e escutar uma parte do seu corpo me implorando para ficar. Eu quero ir e não quero precisar te deixar.

Bernardo Biagioni
Dubbly - God President

Carta

Pouco importa a esquina, a música, qual rua, em qual lua e se a primeira palavra vai ser sua. Não importa o tempo, quanto tempo, os sacolejos do vento, as desventuras do que existe só e apenas dentro de você. Não importa para onde vamos mais tarde, ou se de fato vamos, mas que ao menos continuemos devidamente enlaçados pelos percalços de um doce esperado destino. E pouco importa o que vai existir depois de tudo isso. Desde que sejamos para sempre desatinos - sim, desatinos - e por ora enlouquecidos com o maior amor do mundo. O amor entre nós dois.

Bernardo Biagioni
Bonjah - Somewhere Anywhere