quarta-feira, julho 15, 2026

vênus em gêmeos

Suspenso o tempo do acaso, tomamos o caminho de casa no sentido contrário, quem sabe há chance para os desembaraços, tantas frases sem fim, conversas sem encalços, não há calma que me proteja da urgência do naufrágio. Passeio no seu ar, meus olhos que velejam de vontade, o receio é apenas que fique tarde, alargo as curvas e os quarteirões, os adereços e os endereços, quantos quilômetros devem medir a Espírito Santo. Me disfarço dos astros, corro, mas troco os passos, sonhei que fosse de verdade, que tomávamos conta de todas as luzes da cidade, roubávamos bancos, fugíamos com alarde, um incêndio que tocou o monte e mergulhou pelo vale. Tanto que já foi dito, porém tudo que ficou calado, o futuro me parece um cavalo que vem passando selado, ou montamos, ou seremos derrubados, por que tanta pressa se os encontros nunca foram marcados. Me divirto com o vento, sinta só o sopro que conduz os nossos movimentos, chegamos cedo, um abraço abriu a porta, só as incertezas saberão da nossa hora.

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